Foco no futuro: o espírito da liderança

Em tempos de “novo normal”, é minha convicção de que um líder não pode querer voltar para trás. Neste artigo explico porque a liderança implica boas práticas para construir uma visão do futuro.

Estávamos em 2012 quando o 44.º presidente dos Estados Unidos da América se candidatava para o seu segundo mandato. Nos cartazes de Barack Obama lia-se uma só palavra: “forward”. É estranho como uma palavra são simples consegue explicar tanto sobre liderança. Seja na política, num grupo de amigos ou numa empresa, a dinâmica de liderar é sempre a de olhar em frente. Não ficar preso nas conquistas do passado, nem refém do efémero presente. E hoje, tanto quanto sempre, essa ideia é fulcral para o nosso sucesso.

Em tempos de mudança, um líder vê a oportunidade e abraça-a como se não conhecesse outra forma de estar. É da natureza da liderança adaptar-se rapidamente para preparar o dia de amanhã. E é esta relação com o futuro que marca a mentalidade do líder.

Poderíamos quase que definir o líder como alguém que, perante as circunstâncias, abre caminho e aponta para onde será um futuro com sucesso. Não é apenas pelo significado destas palavras, como também pela forma como se distingue de alguns mal-entendidos sobre o que consiste o processo de liderar. “Abrir caminho” é sensivelmente díspar de “traçar o caminho”, da mesma forma que “apontar o futuro” é diferente de “levar ao futuro”.

Poderão parecer nuances semânticas, mas cada uma das expressões define a linha que separa o ato de liderar do de chefiar. Uma diferença clara entre quem olha para o futuro e quem está obcecado com o presente.

Um chefe diz como se fazem as coisas e obriga, pela força burocrática, as pessoas a percorrerem o percurso que este pretende. Para o chefe, as pessoas estão lá para servirem o seu propósito, e o que importa é o tempo presente, se estão ou não a fazer o que ele quer. É por isso que ele controla tudo, rende-se à microgestão; porque a sua equipa tem que fazer como ele quer que seja feito.

Já o líder, preocupa-se com o que deve de ser feito para chegar ao futuro de sucesso, deixando margem para a sua equipa definir como e qual a solução que deve de ser implementada. O líder deixa o trabalho para a sua equipa e existe para a servir, relembrando para onde se quer ir, e abrindo o caminho quando remove os obstáculos que as suas pessoas encontram.

É nesta diferença, entre pedir o que deve ser feito e o controlo de como está a ser feito, que encontramos uma das principais distinções entre líder e chefe, entre quem se foca no futuro e entre quem se prende ao presente. Mas também no princípio a partir do qual um líder sente que age para servir os outros, e não que a sua equipa o serve a ele.

Quando pensamos no futuro deste “novo normal”, onde a tecnologia é imperativa, o líder de serviço é o caminho de sucesso. Com isto, não quero dizer que um líder não tenha de exigir, pelo contrário. A liderança deve ter sempre mecanismos de controlo, implica exigir responsabilidade e reporting. Sem mecanismos de controlo não é possível ter um processo de liderança focado no futuro.

Não tenho dúvidas, a frase de Obama representava mais do que andar em frente, era uma forma de andar: apontar o caminho, criar condições para as suas equipas construírem, e tomar decisões com base nos resultados. Estes são três princípios da boa liderança que devemos aplicar nas empresas, e que nos permitem ter equipas mais produtivas e pessoas mais felizes. E se é essa melhoria que se pretende construir, porque haveremos de querer voltar para trás?

Este texto foi publicado previamente pelo autor no site Líder Magazine.

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